CIEG - Centro Interdisciplinar de Estudos Grupais Enrique Pichon-Rivière

Logomarca CIEG

Ferramentas:

  • Mapa do Site
  • Links Úteis
  • Busca no Site

Publicações

“Beber, Cair e Levantar…” Breve reflexão sobre um refrão

Escutando, involuntariamente, uma famigerada música que se apresenta na TV, enquanto verifico meus e-mails, decido de repente, parar o que estou fazendo e desato a escrever.

Não posso me furtar de refletir sobre as “preciosidades musicais” que sou obrigada a escutar (ainda que sejam apenas alguns trechos) na televisão, nos rádios, nos alto-falantes das lojas e automóveis, enfim, nas bocas alheias… que me bombardeiam com o que equiparam a nossa atual “Música Popular Brasileira”.

O refrão que intitula este texto agride sobremaneira quando se banaliza o ato de embebedar-se, estimulando uma conduta inconseqüente e violenta consigo próprio e com o outro.

Será que o refrão “Beber, cair e levantar…”, que se repete indefinidamente, não incomoda quando hoje enfrentamos uma realidade onde se mata e morre no trânsito, quando se estabelecem relações irresponsáveis de competitividade, indiferença e violência? E, se não incomoda; por quê não incomoda? Segundo o Blog do Trânsito:

“Estatísticas publicadas no Brasil confirmam que, em mais de 40% dos acidentes onde há a participação de pelo menos um veículo motorizado, alguns dos participantes, inclusive pedestres, estão sob a influência do álcool”.

A maioria das vitimas de acidentes de trânsito são os jovens e as crianças. A inconseqüência, a falta de respeito e a ingestão de álcool por parte de muitos motoristas são apontadas como as principais causas de morte no trânsito.

Seguem dados estatísticos do Denatran, IBGE, Criança Segura e Organização Mundial de Saúde sobre o trânsito brasileiro:

– mata uma pessoa a cada 11min;

– atropela uma pessoa a cada 7min;

– fere uma pessoa a cada 2,8min;

– produz um acidente a cada 31seg;

-faz 34 mil vítimas fatais/ano (mortes no local do acidente).

Estes dados são assustadores; entretanto, o fato de acontecer em todo território nacional, provoca a perda da noção real do que isto significa na vida das pessoas.

O famigerado refrão deveria incomodar a todos, também por vivermos num sistema social, onde diversos grupos familiares adoecem a partir da vivência do alcoolismo.

Em recente pesquisa sobre dependência a drogas, Morgado e Coutinho, ao entrevistarem 150 famílias de pacientes dependentes de drogas, encontraram 68 pais com problemas psiquiátricos, dos quais 50 com transtornos associados ao álcool, e em 36 mães com àqueles problemas, 18 prevaleciam de neurose. Pode-se então postular se o mesmo fato ocorreria com a família do alcoolista.

Sistema social este que não cuida de nossas crianças e adolescentes que acessam cada vez mais cedo o mundo do álcool. Dados do Ministério da Saúde constatam que:

“… A bebida alcoólica que é uma droga lícita e cujo uso abusivo acarreta sérios prejuízos às crianças e aos adolescentes que, sob o efeito do álcool estão duas vezes mais expostos do que qualquer grupo etário a se envolver em acidentes” (BRASIL, MS, 1999).

Então, ao entoarmos este refrão, não percebemos o quanto torna familiar e cotidiano a conduta de “beber, cair e levantar…” Me pergunto se poderiam existir fórmulas para se combater este tipo de “arte” enquanto as letras. Talvez seja uma forma da censura, também com isso não concordo, por isso não creio que existam; mas acredito que existem possibilidades, como aponta Pichon-Rivière:

6 de junho de 2008

Jane Carvalho

Pedagoga, Especialista em Psicologia Social de linha pichoniana, Arte Educadora e Consultora em Desenvolvimento Humano.

Os comentários estão desativados.

Endereço:

Centro Interdisciplinar de Estudos Grupais Enrique Pichon-Riviére

Rua Belo Horizonte, 102 – Ed. Manuel Laureano Campos Casal, 5º andar – Sala 501 Jardim Brasil – Barra, Salvador – BA, 40140-380

Copyright © CIEG - 2011

Contatos

Site desenvolvido por Lila Nascimento

Contato: lila_nascimento@hotmail.com

WebDesigner Lila Nascimento