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Perguntar: Entendeu?

Em condições normais de funcionamento, o cérebro é o órgão que nos possibilita o entendimento. Isto quer dizer, que se o cérebro não tiver alguma disfunção todos os seres humanos estaríamos em condições de entender; por tanto perguntar a um ser humano se entende seria uma redundância ou estaríamos colocando-lo numa situação de incapacidade de entender; quase chamando-lo de incapaz ou burro ou qualquer outro animal, pois só os animais não tem essa capacidade de raciocínio.

O mais interessante é ver como as pessoas utilizam essa forma para dirigir-se ao outro e, especialmente, quando se coloca na pergunta determinadas entonações do tipo: “Como! Não entendeu?” ou afirmando “Você não está me entendendo” ou “Entenderam?” isto para um grupo, geralmente em sala de aula ou para um auditório.

Através das Letras tive acesso ao Analise do discurso, talvez por isso, sei que quando organizamos nosso discurso, ele mostra um modelo de construção que contem determinantes ideológicos. Por tanto mostra em que lugar nos colocamos e em que lugar colocamos ao outro, em uma explicação ou em um dialogo.

 Há tempo que a educação se esforça por não ser autoritária, pelo menos em tese; todos falamos que o professor aprende com o aluno, mas na prática se mostra através do discurso o posicionamento dos educadores em relação aos educandos e uma assimetria muito mais essencial do que funcional.

Há tempo que nas práticas pedagógicas insistimos em entender o vínculo ensino – aprendizagem; questionamos os velhos modelos da repetição e propomos formas criativas, mas continuamos colocando o acento da dificuldade de entendimento no outro. Quando será esse dia em que as pessoas, especialmente essas que trabalham com gente, em atendimento, educação, saúde, se questionem a si próprios se estão sendo claras em suas explicações?

Há tempo que nas minhas aulas ou no tratamento com os outros eu comecei a perguntar: “Estou sendo clara?” ou “Está dando para me acompanhar?” Dessa forma eu posso me ver e saber se estou organizando meu saber de forma compreensível para possibilitar a aprendizagem, para criar as condições do aprender. O problema não está no outro, está em nós; mas para chegar a essa compreensão se faz necessário sair da onipotência narcisista e ingressar na humildade do saber.

7 de outubro de 2007

Graciela Chatelain

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