CIEG - Centro Interdisciplinar de Estudos Grupais Enrique Pichon-Rivière

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Artigo Acadêmico O VÍNCULO PROFESSOR ALUNO

UMA RELAÇÃO QUE DEIXA MARCAS

RESUMO Neste artigo discute-se sobre o Vinculo Professor/Aluno, trata-se das origens do desenvolvimento do sujeito a partir do nascimento e como adquire as primeiras aprendizagens. Assim, cada sujeito a partir da relação com o outro vai formando vínculos, no processo de interação , nessa visão a Psicologia Social trata dessas relações construídas a partir do grupo familiar, primeiro do qual a criança ao nascer faz parte e na continuidade do seu desenvolvimento, vai se inserindo em outros grupos, dentre estes o grupo escolar, onde o vínculo com o professor é uma marca de aprendizagem , de construção de conhecimento, e constituição da subjetividade de cada um, onde as experiências primeiras se fundamentam no grupo familiar.

Palavras – chave: Vinculo. Professor. Aluno. Família. Aprendizagem.

RESUMEN En este artículo se discute sobre el Vinculo Profesor / Alumno, se trata de los orígenes del desarrollo del sujeto a partir del nacimiento y cómo adquiere los primeros aprendizajes. Así, cada sujeto a partir de la relación con el otro va formando vínculos, en el proceso de interacción, en esa visión la Psicología Social trata de esas relaciones construidas a partir del grupo familiar, primero del cual el niño al nacer forma parte y en la continuidad de su desarrollo , se va insertando en otros grupos, entre éstos el grupo escolar, donde el vínculo con el profesor es una marca de aprendizaje, de construcción de conocimiento, y constitución de la subjetividad de cada uno, donde las experiencias primeras se fundamentan en el grupo familiar.

Palabras claves: Vinculo. Profesor. Alumno. Familia. Aprendizaje.

1. INTRODUÇÃO

Cada sujeito tem dentro de si uma série de vivencias fruto de suas aprendizagens, da sua relação com o outro. Ou seja, fazem correlações com o que está povoado na sua subjetividade, estabelecendo diálogos que estruturam os seus sentimentos. Isso quer dizer que o mundo interno nesse processo vai constituindo a forma de pensar de cada sujeito. Sempre que se trata de relações sociais, de vínculos da interação entre os sujeitos, está se falando da Psicologia Social. Freud (1991) no início da concepção de sua teoria construiu algumas ideias fundamentais da Psicologia Social, afirmando que “não há Psicologia Individual, mas que toda Psicologia é Social, desde quando integra aspectos múltiplos da realidade que interagem”. (MÓDULO CIEG, 1991, p70). Assim, Freud (1991) formou algo que não chegou a definir totalmente e que hoje é conhecido como mundo interno. Fica claro que o sujeito se constitui a partir da sua relação com o outro e é nesse processo que ele aprende. O homem nasce no seio familiar e desde a sua concepção está vinculado a outro ser que é a sua mãe, sem ela não haveria desenvolvimento do feto, nem a possibilidade de ser gerado sem o outro. Passa em média até o nascimento sete a nove meses no útero materno, vinculado por um cordão umbilical, o que caracteriza a princípio a sua condição de sobrevivência. Desta forma, as nossas primeiras aprendizagens acontecem no grupo familiar, que é responsável da construção pelo sujeito, dos seus primeiros esquemas de aprendizagem. Esquema este, que se caracteriza no nascimento em aprender a respirar, seguido da necessidade de alimentar-se, aconchego, de vestir, tomar sua constituição. Na alimentação, o que primeiro é oferecido ao sujeito é o peito da mãe e se constitui uma das primeiras aprendizagens, na qual o papel da mãe ou de quem interaja com ele é fundamental na construção desse primeiro esquema de aprendizagem com o outro. É importante dizer que não é tão fácil passar da vida intrauterina, para a situação de sujeito social após o nascimento, o que vai se fundamentando no grupo familiar e na escola, através do vinculo professor/ aluno.

2. FUNDAMENTAÇÃO

As possibilidades de integração de experiências que analisa Freud em o “O Projeto” (1895): (…) e que permitem a constituição do objeto interno (vivência de satisfação), estariam prefiguradas em certa capacidade integrativa observável em um feto no nono mês. Recordem o experimento de Spitz (1991), provocando o Reflexo de Moro no recém-nascido. Essas capacidades rudimentares são o germe – em nosso entendimento de uma primitiva organização do eu que continuará configurando-se desde a crise do nascimento adiante. (CIEG, Módulo Aprofundando a P.S, p. 60). Isso quer dizer que existe um processo evolutivo na organização egóica, na Continuidade Genética, do ser humano desde as suas formações mais simples às mais complexas do organismo, ou seja, continuidade da espécie. Com esse repertório pré-natal o organismo se prepara para enfrentar o que se denomina crise do nascimento, a passagem da vida intrauterina para a continuidade genética, ou seja, de um sistema a outro. Esta situação terá como experiência, uma importância decisiva no destino do sujeito, como na construção da sua conduta. Assim, na relação com o outro inicialmente no grupo familiar o sujeito vai evoluindo no seu processo de aprendizagem, das condutas mais simples às mais complexas, como a linguagem, caminhar etc. Essa evolução é histórica, marca a construção do mundo interno de cada um, no contato com o mundo externo, suas experiências, sua forma de ser e estar no mundo. A situação de nascimento provoca na mãe e no bebe uma situação de desconforto, onde a criança está prestes a deixar aquele lugar quentinho, confortável, onde permaneceu durante nove meses e a mãe se encontra na expectativa da experiência do parto, o que vai acontecer, as reações que terá, as contrações uterinas que aumentam e provocam uma mudança de posição do feto que em condições normais se coloca para nascer. Após o nascimento, a criança começa as suas primeiras aprendizagens que surgem frente às necessidades que se apresentam para à sua sobrevivência, considerando que o ser humano é o único animal que só sobrevive pós nascimento, se tiver ajuda do seu semelhante. Desta forma, essas necessidades podem ser satisfeitas ou frustradas a partir dessa relação com o outro, com o mundo externo. Na amamentação a criança ao sugar o peito da mãe, uma de suas primeiras aprendizagens, vai se inscrevendo no seu mundo interno uma forma de aprender. Se a mãe lhe apresenta o peito de forma carinhosa, aconchegante, estimulando-o a sugar, pois ele ainda esta aprendendo, provavelmente se constituirá numa aprendizagem prazerosa. Entretanto, se é uma mãe que demonstra descontentamento pela vinda desse filho e lhe diz palavras como: “Toma logo menino, não vê que estou ocupada” ou outras palavras que não demonstrem acolhimento, provavelmente será uma atividade frustrante. Em ambas as situações apresentadas, provavelmente vai haver aprendizagem porque a criança será alimentada, porque essa é a tarefa dessa aprendizagem, porém em cada uma das formas descritas, haverá uma inscrição diferente na forma de cada um aprender, ou seja: Em cada experiência há uma aprendizagem explicita que se objetiva num conteúdo ou numa habilidade, mas, a experiência em que se desenvolve essa aprendizagem, deixa uma marca que faz a nossa modalidade de serno- mundo, de interpretar o real, de ser – o – mundo para nós. Esta é uma aprendizagem implícita, profunda, estruturante. Um “aprender a aprender” como maneira de nos construirmos em sujeitos de conhecimento. (CIEG, Módulo Aprofundando a P.S, p.49). Assim, desde as concepções de aprendizagem, que determinam como se aprende, essa análise mostra que na visão da Psicologia Social Pichoniana, a relação professor /aluno deve ser vista a partir da forma que historias de cada um e que, sendo a escola depois do grupo familiar, o segundo que o sujeito faz parte, as aprendizagens explicitas e implícitas continuarão a fazer parte deste contexto. Ao chegar à escola professor e aluno chegam com vontade de desenvolver as suas tarefas. Cada um traz a sua mochila, o aluno traz a mochila com seu material, seus livros, cadernos, água, lanche; enquanto na do professor está seu planejamento, sua proposta de trabalho seus livros, seus planos, seu material de consulta e tudo isso é importante para o processo ensino aprendizagem. Assim, é importante também, a história de cada um, o que traz na sua subjetividade, o que cada um traz na sua construção como pessoa, como formaram as suas matrizes de aprendizagem, como aprenderam com as outras pessoas, de que forma lidam com o mundo. Esses aspectos são significativos para a educação porque geralmente o professor tem uma sala com 25 a 30 alunos, são personalidades diferentes, condutas diferentes, construção pessoal diferente, na relação grupal, na relação consigo mesmo. E tudo isso, incide na forma de ensinar e de aprender, o professor com tudo que ele traz é um professor paciente? Tem tranquilidade? Traz consigo o desejo realmente de ser professor? Ou ele é professor pelas circunstâncias, ou porque não tinha outra profissão ou essa foi a que ele achou melhor para si, porque dava um resultado imediato? E o aluno, quem é a família do aluno, quem é essa família, como ele chegou até a escola, de que forma foi o primeiro contato do aluno com o professor, de que forma se deu a relação da família com a escola, tudo isso é importante porque no momento da construção de vínculos na relação aluno/ professor, este vínculo poderá ser positivo ou negativo, o vinculo positivo se há articulação entre o que o professor fala e o que o aluno diz na interação entre eles. O vinculo é negativo porque muitas vezes o professor também, a depender da sua história e da forma que o aluno se comporta, ele acha que este não quer nada, não sabe nada, que não liga para nada, muitas vezes porque, ele não sabe da história do aluno, não sabe das suas mazelas, que dificuldades passa no seio da família, de que forma é visto pelo pai, pela mãe, irmãos, parentes. Muitos são vistos, como muito inteligentes, capazes, que gostam de estudar, que têm interesse, outros como muito desinteressados, como que não faz nada que tenha importância e assim, alguns chegam com a auto estima elevada, outros com auto estima em baixa. Neste ponto, precisa-se estar atento às questões dessa relação na escola, inclusive percebendo, até que ponto o professor se acha formador de matrizes de aprendizagem, o que interfere profundamente na caracterização do vinculo construído entre eles. Outro ponto se refere ao que é ensinado e o que é aprendido, quando se está discutindo sobre as concepções de aprendizagem, sabe-se que, cada concepção quando entra na escola traz uma visão de homem para aquele momento em relação ao professor e o aluno. E essa visão de homem precisa ser entendida a partir do contexto em que se encontra. Houve um momento em que o professor era aquele que instruía e o aluno teria que estar atento a tudo que o professor dizia. Não tinha direito de perguntar, de trazer nenhuma das suas indagações pessoais. Mas há outro momento, onde há a possibilidade do aluno indagar, dizer ao professor o que pensa, se colocar, o que depende muito também, não só das concepções de aprendizagem, mas do professor, daquele sujeito que está ali diante do aluno. É um professor que copia o tempo todo no quadro para que o aluno coloque no caderno e depois vá estudar e responder às perguntas feitas por ele, ou é um professor que interage com o aluno, discute, procura saber se o aluno conhece o objeto do conhecimento, se traz algum conhecimento do que está sendo discutido, quais os seus conhecimentos prévios? Tudo isso é importante para a construção de uma aprendizagem fundamentada numa perspectiva de uma relação, onde haja diálogo, onde a dialética seja elemento de construção entre professor e aluno. Segundo Zabala (1998): Portanto, podemos falar da diversidade de estratégias que os professores podem utilizar na estruturação das intenções educacionais com seus alunos. Desde uma posição de intermediário entre o e a cultura, a atenção à diversidade dos alunos e das situações necessitará, às vezes, desafiar; às vezes, dirigir; outras vezes, propor, comparar. Porque os meninos e as meninas, e as situações que têm que aprender, são diferentes. (ZABALA, 1998, p.90). Sob tais perspectivas, a escola é um dos espaços privilegiados para a prática educativa, já que a forma escolar emerge como forma dominante de educação na sociedade atual, a tal ponto, que passa a ser confundida com a educação propriamente dita. Assim, hoje, quando pensamos em educação, automaticamente pensamos em escola, como um ambiente de transformação, de mudança . O conceito de vínculo para Pichon (2012) é o fundamento da Psicologia Social e traz consigo toda a construção que favorece a promoção da saúde mental. Pensar em saúde mental é neste caso estar integrado à ideia de que o homem não é só razão, mas é também emoção, e que nas relações, os seus sentimentos fazem parte dessa interação: amor, ódio, compaixão, etc. afloram nesse contexto. Na relação professor/aluno não é diferente; há a internalização não só do objeto do conhecimento, do conteúdo a ser apreendido, mas aí há também, o que fica implícito na relação, a forma do professor ensinar, os sentimentos que ambos interagem entre si e que vão determinar o que é um vínculo positivo ou negativo. Cada sujeito está povoado de experiências que se correlacionam, e ao viver novas experiências sempre trará vivências anteriores, confrontações e determinará a partir do que está no seu mundo interno, na sua subjetividade se essa experiência do aqui, agora lhe satisfaz ou lhe frustra e quando essa forma de aprender traz dificuldades constantes na interação com o outro, pode se constituir a doença. Assim, podemos dizer que as experiências fundadas nas relações com as pessoas e objetos podem vincular vivências boas ou más, determinando a qualidade do vínculo construído. Ao falar de vínculo, de interação, está se falando de uma relação dialética entre o sujeito e o objeto; entre o sujeito e o objeto se estabelece um diálogo de símbolos e respostas, uma modificação permanente de um e de outro quer dizer, uma representação gráfica do vínculo, seriam aí incluídos sujeito e objeto dentro de um movimento bidirecional. Neste caso, na relação professor/aluno é importante entender que o aluno está para o professor, assim como o professor está para o aluno e entre eles o conteúdo a ser estudado, que se constitui instrumento para que essa relação se estabeleça, onde o que é mais significativo e se instala na subjetividade do sujeito não é o conhecimento de História, Geografia. Ciências etc., mas a forma como esta relação de aprendizagem se estabelece. Para Zabala (1998): Promover a atividade mental auto estruturante, que possibilita estabelecer relações, a descontextualização e a atuação autônoma, supõe que o aluno entende o que faz e porque faz e tem consciência, em qualquer nível, do processo que está seguindo. Isto é o que lhe permite darse conta de suas dificuldades e, se for necessário, pedir ajuda. Também é o que lhe permite experimentar que aprende o que sem dúvida, o motiva a seguir se esforçando. (ZABALA, 1998, p.91). Nesse sentido é bastante significativa a mediação do professor, o seu papel no momento de interferir quando haja necessidade, oferecendo ao aluno mais possibilidades de estabelecer relações com o que conhece para assimilar, entender o que não conhece e todo esse processo requer do professor desenvolver sínteses, fazer recapitulações, articulando com o que já se fez anteriormente. Paulo Freire (1996), afirmou que: O bom professor é o que consegue, enquanto fala trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas. (FREIRE, 1996, p.96). E ainda segundo Paulo Freire (1996), a relação entre professor e aluno se caracteriza em um sistema horizontal de respeito e intercomunicação. O autor enfatiza essa relação de respeito que tem de ser criada entre professor e aluno. Apenas dessa forma, o professor poderá realizar seu trabalho e realmente fazer uma mudança na aprendizagem e na vida de seus alunos. Também fala sobre a afetividade, que, em sua opinião, é o fator fundamental para que se crie uma boa relação entre professor e aluno. Claro que essa afetividade deve ser dada em certa proporção para que os papéis de professor e aluno não se confundam. É através da afetividade e da boa relação que o professor poderá criar a autoridade sobre sua turma e alunos. Essa autoridade está diretamente relacionada com a visão que os alunos têm de seu professor e com a forma com que o professor lida com seus alunos. Freire (1996), crê também, que o diálogo é a melhor forma de se resolver qualquer problema e situação junto aos alunos. É com o diálogo, que esse sentimento de respeito se faz possível no ambiente escolar. Esse aprender pode vir relacionado a sentimentos que podem se constituir marcas significativas e que podem intervir na sua relação com o mundo, nessa relação vai construindo a sua subjetividade, que de forma dialética se constitui num inter-jogo entre mundo interno e mundo externo. Este texto é fruto de uma pesquisa e se fundamenta na ideia da formação do professor, nas temáticas da Psicologia Social como Matrizes de Aprendizagem, Vínculos, Grupo Familiar, Vida Cotidiana e Crítica da Vida Cotidiana, por entender que na formação do educador, nos cursos de preparação para o magistério, esses conhecimentos não fazem parte da interação do sujeito consigo mesmo, com a sua história, com a forma como aprendeu, quem é ele de verdade nas suas condições concreta de existência. Neste sentido, é significativo entender a relação das Concepções de aprendizagem com a Psicologia Social Pichoniana, porque estas tiveram e têm ao longo do desenvolvimento da História da Educação uma influência muito grande nos processos de ensinar e aprender, e a teoria de Pichon (1960), traz a questão da aprendizagem, como intrínseca ao homem, no seu processo de construção como ser humano. É importante ainda, referendar teóricos da educação que dialogam com as ideias Pichoniana, considerando que se trata de áreas afins, que se integram na necessidade de explicar como o homem aprende e como a relação professor aluno enquanto objeto dessa pesquisa pode ser entendida nesse contexto. É importante entender que o ser humano aprende durante toda vida e que enquanto ser inacabado, a educação é um processo permanente para todos. Assim, a formação permanente do professor se constitui um ato necessário e agregar a esta, conceitos como os da Psicologia Social Pichoniana, abre-se espaços para novas discussões e para construção de um conhecimento que favoreça a relação professor-aluno. É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente. Mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados. Não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis, mas a consciência de sua inconclusão é que gerou a educabilidade. (FREIRE, 1997, p.64). Ainda é significativo aqui o fato de demonstrarem a partilha no ato do conhecimento, no processo de interação quando traz que considerar os conhecimentos prévios do aluno, parte da necessidade e do seu comportamento, toma como base o meio em que ele vive, é o ponto de partida para tudo, o avanço só será significativo se partir disso, da experiência com eles na sala de aula, o que favorece para que o resultado seja eficaz. É importante considerar frente às respostas da maioria dos professores que o homem enquanto ser de necessidades aprende na interação com o outro e que ele é protagonista da ação. Assim, no projeto de escolarização, a função social é ordenar a reflexão pedagógica do aluno de forma a pensar a realidade social desenvolvendo determinada lógica. Para que esta lógica seja desenvolvida é preciso apropriar-se do conhecimento científico, confrontando-o com o saber que o aluno traz do seu cotidiano, e de outras referências do pensamento humano, alinhando-se ai a história de vida de cada protagonista dessa ação. Trabalhar com os conhecimentos prévios do aluno fomenta a valorização da autoestima e a validação dos seus conhecimentos. No mundo atual onde a produção do conhecimento se faz de forma vasta e efêmera a valorização do que os sujeitos conseguem apreender é de fundamental importância para a construção de novos conhecimentos e para confrontar os saberes construídos por cada um. Assim, é significativa a produção do conhecimento nas várias áreas e a mídia, a internet, os meios de comunicação em geral são fontes de disseminação desses saberes e é accessível a todos, o que ressignifica o saber de cada um no processo de interação com o outro, o que não é diferente, na relação professor aluno. Outra questão muito presente as vezes na escola é a Agressividade .Essa é uma situação que tal como a questão em si , mexe com a relação no interior da sala de aula, porque não dizer com a escola, por outro lado é significativa a abertura para o diálogo, por trazer a base para a resolução de conflitos. É no respeito às diferenças, é oportunizando ao aluno testemunhar a sua segurança, que o professor tem a possibilidade de firmar-se e de construir uma relação dialógica, que fomente a confiança, tão essencial entre professor e aluno. Segundo Freire (1996): Não importa a que custo, nem tampouco temo que pretendam “conquistar-me”. É no respeito às diferenças entre mim e eles ou elas, na coerência entre o que faço e o que digo, que me encontro com eles ou com elas. É na minha disponibilidade à realidade que construo a minha segurança, indispensável à própria indisponibilidade. É impossível viver a disponibilidade à realidade, mas, sem segurança, mas é impossível também criar a segurança fora do risco da disponibilidade. (FREIRE, 1997, p.152). O pensamento de Freire (1997) demonstra a necessidade do respeito às diferenças entre professor e aluno, a disponibilidade de ouvir, de ser tolerante frente às questões do outro, e ainda, que não é possível ter segurança se não se disponibiliza. Hoje, a violência nas escolas, a dificuldade de muitas vezes contatar com a família, a falta de profissionais dentro e fora do espaço escolar que possam ser sustentação para professores e equipe administrativa e de coordenação, se constitui muitas vezes, entraves para resolução de conflitos. Frente a tudo isso é importante trabalhar com professores ferramentas que lhes dê suporte, que possibilite um repensar da prática. É importante a integração da família com a educação de seus filhos, é um fator crucial, não apenas para o sucesso acadêmico do aluno, como também para seu desenvolvimento emocional e social. Aluno e professor chegam na escola com suas histórias que muitas vezes divergem considerando que as primeiras aprendizagens acontecem no ambiente familiar e todo este contexto deve ser valorizado para o estabelecimento de relações entre a família e a escola Assim, num momento de conflito a escola que tem a família como parceira já encontra um caminho de discussão ou não porque muitas vezes o conflito é originado desta, o que exige a participação de outros profissionais que lidem com as questões humanas. Quando se trabalha com a Psicologia Social Pichoniana temáticas, como Matrizes de Aprendizagem e Vínculos, apresenta-se instrumentos de reflexão para construção de novos caminhos, na busca de contornar conflitos que passam pelo entendimento da história do outro, de como se constituiu como pessoa, a natureza dos vínculos construídos, conforme sejam, se atrelam ao diálogo como forma de resolução de problemas surgidos na sala de aula. Outra questão fomentada na escola é o espaço para a reflexão da prática, no contexto das respostas dos professores, numa pesquisa realizada, fica explicito que não há reflexão no cotidiano da escola, que não é algo constante a não ser nos momentos de Atividade Complementar. Sem reflexão crítica a prática se esvai em si mesma. Por isso na formação docente a reflexão é o momento principal de revisão, do que esta sendo feito e o que é preciso fazer. É fundamental na reflexão que se entenda a sua finalidade no contexto da educação, considerando que este é espaço que proporciona a necessidade ou não de um replanejamento que dite para cada educador, como seu aluno está aprendendo e a qualidade daquilo que ele aprende. Constitui-se ainda, no espaço de aprendizagem do professor, porque o espaço da reflexão lhe oportuniza entender como trabalha e do que precisa melhorar em relação ao trato com o aluno, às atividades propostas, o trato com o conhecimento e ás habilidades desenvolvidas. Para Freire (1997), por isso é que: (…) na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática. (FREIRE, 1997, p.44). Neste contexto, considera-se os aspectos da Educação que se alinham a princípios da Psicologia Social, no momento da práxis, citados na questão anterior que se definem a partir dos conteúdos trabalhados nas várias áreas do conhecimento, as questões referentes a ética e a moral no convívio social e os aspectos da interação social, que norteiam toda condição do sujeito aprender com o outro. Para fazer uma analise da prática é preciso recorrer ao planejamento, para que as ideias propostas possam ser avaliadas em seus objetivos, conteúdos, estratégias, nível dos alunos a que se destina, faixa etária, condições dos professores a nível profissional e humano, o que se insere na discussão desse texto ao se tratar da relação professor – aluno. Segundo Freire (1997) a prática educativa tem de ser, em si, “um testemunho rigoroso de decência e de pureza.” E importante articular o ensino dos conteúdos com a educação moral e com a formação social e emocional do educando. A análise da prática exige veracidade, acompanhamento constante, monitoramento. Se caracteriza por um aprender a aprender que se firma numa práxis que fomenta uma dialética entre o ensinar e o aprender, entre um pensar, sentir, e fazer que deve compor toda prática educativa. Todas estas ideias são princípios da Psicologia Social Pichoniana que embasada no método dialético, num aprender a aprender e num processo do pensar, sentir e fazer se constitui num ponto significativo para a saúde psicossocial dos sujeitos. Nesse processo todos estes princípios atrelados à educação determinam uma forma de construção da prática educativa que quando analisada de forma permanente, se insere no cotidiano da unidade escolar e sobretudo no vínculo professor/aluno.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A relação de aprendizagem entre professor e aluno se dá numa abordagem interacional, vincular que se fundamenta num interjogo que envolve necessidade/satisfação, sujeito/contexto vincular-social, por se constituir de forma determinada, um processo de ensino/aprendizagem que envolve esse ser bio-psico-social, em todo seu processo de interação com o outro. Nesse entendimento é importante acompanhar essa relação que se insere no contexto da educação, como um dos princípios necessários à construção do conhecimento pelo aluno de forma saudável. Lidar com diferentes sujeitos, dentro de um enquadre que se organiza num processo de ensinar e aprender exige uma ação que tenha a visão das diferenças, da heterogeneidade como significativa para entender as necessidades de cada aluno. Nesse sentido, é importante a partir de cada situação aguçar o interesse do aluno em participarem o reconhecimento de que estudar é uma necessidade básica e esta relacionada àquelas mais distintas para o desenvolvimento do ser humano. Assim, estudar aguça a curiosidade, convida o sujeito a questionar, a buscar de forma muitas vezes prazerosa o aprendizado. Indagar, comparar, duvidar, aferir são capacidades que se adquire com o desenvolvimento da inteligência e estas questões estão atreladas à vida de quem estuda. A criança precisa ser incentivada a gostar de estudar, o que se adquire geralmente no ambiente familiar, com a apresentação de questões, de objetos, de fatos que lhe agucem a curiosidade, o desejo de saber, de experienciar, o que é natural a toda criança. Enquanto ser também de necessidades, traz consigo o desejo de aprender. Aprende-se tudo, inclusive a lidar com o que lhe satisfaz e o que gera frustração. Enquanto ser também de necessidades, traz consigo o desejo de aprender. . Assim, constrói-se um aprender a aprender com seu próprio comportamento e com o do seu semelhante, porque este processo de interação o determina.. A escola é espaço de aprendizagem e nela deve-se dar ao aluno segurança de como se conduzir no respeito ao outro, no momento de discutir qualquer assunto, determinando o momento de ouvir o outro, de falar, de ter tranquilidade ao se expressar, e isso se alicerça no preparo do professor ao orientar o aluno. As conversas informais entre aluno e professor abrem espaço para este conhecer o que pensa seu aluno, principalmente quando o aluno traz fatos de sua vida pessoal, familiar o que oportuniza uma maior compreensão por parte do professor das necessidades deste. Portanto, a relação professor/aluno é diversa, dialética porque envolve pessoas em diferentes momentos e lugares, nas mais variadas situações, se constitui aprendizado para todos os envolvidos e marca uma validação de um entendimento que é real e significativo no Vínculo Professor/Aluno.

REFERÊNCIAS:

CIEG, MÓDULO do Curso Aprofundando da Psicologia Social –, 1991. CIEG, MÓDULO do Curso de Pós-Graduação em Psicologia Social de Fundamentação Pichoniana – Chancelado pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública. Salvador. 2012.

FREIRE, Paulo, Pedagogia da Autonomia, Saberes Necessários à Prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. Salvador. 1996.

FREIRE, Paulo e QUIROGA, A.P, El Processo Educativo Según Paulo Freire e Enrique Pichon-Rivière. San Pablo, Brasil: Ediciones Cinco. 1997.

QUIROGA, A.P.Matrices de Aprendizaje, Constitución Del Sujeto Em El Processo de Conocimento. Buenos Aires: Ediciones Cinco, 1991.

RIVIÈRE, P.E. Teoria do vínculo. Buenos Aires: Ed. Martins Fontes, 1980.

ZABALA, Antoni, A Prática Educativa – Como Ensinar. Porto Alegre. Artmed. 1998

9 de maio de 2019

 Clemilda Santana da Silva

Graduada em Pedagogia e Geografia, Especialista em Alfabetização, Gestão Educacional, Especialização em Psicologia Social na Baiana. Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad Interamericana. Assunção – PY E-mail: Clemilda.santana@gmail.com

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