CIEG - Centro Interdisciplinar de Estudos Grupais Enrique Pichon-Rivière

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História da Técnica de Grupos Operativos

Hoje trataremos de terminar com a exposição dos aspectos teóricos dos grupos operativos. Os grupos operativos se definem como grupos centrados na tarefa. Agora, por que esta insistência ? Pelo fato de que os grupos em geral se classificam segundo a técnica de abordagem do mesmo. Observamos que há técnicas grupais centradas no indivíduo: são alguns dos chamados “grupos psicanalíticos ou de terapia” nos quais a tarefa esta centrada sobre aquele que para nós se chama porta-voz. Nossa posição frente a esta técnica é de crítica na medida em que entendemos que desde esta perspectiva a situação grupal não é compreendida em sua totalidade, mas que a pontaria da interpretação esta dirigida aquele que enuncia um problema que geralmente é considerado pessoal, não incluindo na problemática o resto.

O outro tipo de técnica é do “grupo centrado no grupo”, na análise da própria dinâmica. Técnica que esta inspirada nas idéias de Kurt Lewin, na qual considera o grupo como uma totalidade. Não incluem entretanto o fator ultimo que nós temos assinalado, a relação sujeito-grupo, verticalidade-horizontalidade, originando assim os “grupos centrados na tarefa.”

Para nós a tarefa é o essencial do processo grupal, portanto nesta caracterização temos os três tipos de grupo: a) centrados no indivíduo; b) centrados no grupo como um conjunto total ; c) os grupos centrados na tarefa, esclarecendo que não é o mesmo tarefa que grupo total.

Nossa preocupação é abordar através do grupo, centrado na tarefa, os problemas da tarefa, da aprendizagem e problemas pessoais relacionados a tarefa, com a aprendizagem. O que tratamos de realizar aqui é uma aprendizagem que tem caráter grupal. O grupo se propõe uma tarefa e a tarefa é a aprendizagem, ou o retrabalho, neste caso das aulas escutadas. Quer dizer, que logo em grupo de tarefa se retrabalha ou se reaprendem ou se aprendem finalmente como totalidade, estes conteúdos. Isto se realiza em grupo com as implicações pessoais que vão se incluindo no processo. Reiteramos que há uma diferenciação clara entre os grupos centrados no indivíduo, centrados no grupo e centrados na tarefa.

O eixo da tarefa faz desta técnica um instrumento útil  para qualquer classe de trabalho. Aqui a tarefa é muito provavelmente planejada já durante a aula e absorvida por vocês e retrabalhada durante o grupo. Assim se cumpre com todas as regras da aprendizagem em sua totalidade: uma  aprendizagem global, total e fundamentalmente de caráter social.

O que acabo de dizer sobre a diversidade de técnicas grupais assinala o caráter diferencial do grupo operativo pelo fato de que não esta centrado no grupo como totalidade, mas na relação que integrantes mantém com a tarefa. Quer dizer, o vínculo fundamental, estabelecido ou a estabelecer, é a relação entre um grupo e seus membros com uma tarefa determinada; deixando um pouco de lado os problemas pessoais do grupo centrado no indivíduo e os problemas totais, que estão incluídos também como resumo de partes, de indivíduos que enunciam aspectos pessoais em forma global. Então, o essencial é esta diferenciação: o que é tarefa, o que é grupo, o que é indivíduo.

O nome de grupo operativo provém daí, na realidade é uma denominação que coloquei neste tipo de grupo, porque nasceram em um ambiente de tarefa concreta.

Em torno de 1945, circunstancias particulares criaram a necessidade de transformar aos pacientes de meu serviço em operadores, por haver ficado impossibilitado todo o pessoal de enfermaria. Frente a uma situação concreta tive que cobrir em poucos dias o fato de não ter enfermeiros, o carecer de toda ajuda institucional.

A formação de enfermeiros foi o problema fundamental, e em poucos dias, uma semana, pude obter a continuação da tarefa em meu serviço – que era uma sala de adolescentes -em base a formação de indivíduos através da tarefa determinada, para obter técnicos para o cuidado diurno e noturno dessa comunidade de jovens que haviam ficado desamparados por uma ordem superior.

Em que consiste nossa técnica? Pode se dizer que em dois aspectos fundamentais: no aspecto manifesto, explicito e no aspecto implícito, o latente. Nesse sentido nos aproximamos da técnica analítica que é na realidade fazer consciente o inconsciente, ou seja fazer explícito o implícito. Desde de um ponto de vista técnico se parte geralmente do explícito para descobrir o implícito com a finalidade de fazê-lo explícito e assim em um continuo movimento espiralado.

Assim é como se define a tarefa: consiste na abordagem do objeto de conhecimento, que tem um nível explícito ou manifesto de abordagem. Mas nesse plano explícito da execução da tarefa ou tratamento do tema surgem certos tipos de dificuldades, de lacunas, de cortes na rede de comunicação, quantidade de exigência que aparecem como sinais emergentes de obstáculos epistemológicos. O essencial é isto: que no explícito da execução da tarefa ou do tratamento do tema se dão certos tipos de dificuldade (as dificuldades típicas ou lacunas, ou cortes na rede de comunicação) e graus de exigência que aparecem como sinais, como emergentes do que nós chamamos obstáculos epistemológico*[1]. Isto é, seria um obstáculo na visão de um conhecimento qualquer.

Esse obstáculo ou dificuldade de abordagem denuncia uma atitude de resistência à mudança e estamos nos aproximando ao centro da questão: o obstáculo epistemológico centra as resistências na mudança  e a nossa tarefa é justamente promover a mudança (no sentido grupa) operativo (mudança de uma situação para outra), na qual o explícito que tomamos como manifesto se interpreta até que apareça algo novo, um novo descobrimento ou um novo aspecto da enfermidade.

Falo de enfermidade recordando a primeira experiência feita no Hospício, na qual se repetia de certa maneira o propósito e a Técnica Psicanalítica. Quer dizer que através do explícito se descobria o implícito que emergia e se voltava a tomar uma espiral constante.

Esse obstáculo ou dificuldade de abordagem denuncia uma atitude de resistência à mudança se considerarmos que a enfermidade mental ou as dificuldades sociais de qualquer tipo vão acompanhadas de uma resistência à mudança. Mas nesse caso estamos trabalhando com pacientes psicóticos; o enfrentamento do obstáculo, para curar, era a direção de nossa tarefa.

No paciente existe muitas vezes a vontade de se curar, mas se dá a resistência à mudança, pôr um estado particular criado pôr ele: uma vez que está em uma situação psicótica, trata de não mudar essa situação por uma atitude constante de resistência à mudança, e é sobre essa que vamos trabalhar permanentemente.

Analisando o porque da resistência à mudança e o que significa a mudança para cada um, pudemos ver que existiam na verdade dois medos básicos em toda patologia e frente a toda tarefa a iniciar. São os dois medos básicos com os quais trabalhamos permanentemente: o Medo A Perda e Medo Ao Ataque.

Os pacientes viviam o medo a perda do já adquirido, das defesas neuróticas estabelecidas. Quer dizer, no fundo havia um não querer curar-se e esse era o inimigo fundamental da terapia. Nossa operação era então trabalhar sobre o medo a perda em caso de mudança, pôr que estavam postos em uma situação de mudança. Entretanto teríamos que estudar porque a mudança tinha esta significação. Quer dizer, que do dois medos, o medo a perda fundamentalmente estava relacionado com a perda dos instrumentos que já utilizavam como enfermidade para alcançar uma adaptação particular no mundo. Quer dizer que nessas condições se sentiam mais seguros, pôr haver aprendido o “ofício” de enfermo (doente), que não queriam mudar pôr outra situação que lhes criava uma ansiedade muito grande e que freava a mudança.

Então, primeiro foi a análise sistemática do medo a perda, que consiste em sentimentos ou temores de perder através da mudança a situação previamente alcançada, como se a situação previamente alcançada, a enfermidade, estivesse significando uma segurança para o sujeito.

Pôr outro lado, o medo ao ataque, que realmente é o que se observa mais diretamente, significa que pelo fato de haver mudado, o sentimento de perda cria uma nova situação no paciente (me refiro aqui ao paciente porque está analise é produto de um trabalho sobre pacientes, que logo se aplica a qualquer vetor de conhecimento), uma nova ansiedade, um motivo da resistência à mudança, que era o medo ao ataque. E o medo ao ataque consiste ou provem do sentimento de encontrar-se sem instrumento na nova situação, com a conseqüente vulnerabilidade. Quer dizer, que aumentava o medo do paciente pôr haver perdido suas defesas neuróticas, o que constitui uma resistência à mudança. Aquele paciente que apela a todas as resistências, a suas técnicas neuróticas, que surgem de uma situação de resistência à mudança pôr sentir medo frente a falta de instrumentação que o proteja depois da mudança ou quando a mudança inicia.

Então o medo a perda é o sentimento de perder o que já se possui e o medo ao ataque é o sentimento de encontrar-se indefeso frente a um medo novo, sem os instrumentos capazes de protegê-lo. Assim podemos passar, digamos, pôr todos os quadros da neurose ou psicose, entendendo-os em termos dos dois medos, que são os dois medos básicos, e cuja compreensão vai orientar quase a toda nossa tarefa.

A tarefa consiste em resolver as situações estereotipadas e diplomáticas que surgem da intensificação destas ansiedades na situação de aprendizagem, já não só no tratamento de psicóticos, mas na situação de aprendizagem, que para nós tem uma grande analogia com a anterior, já que entendemos a dificuldade para se curar ou a resistência a essa cura, como perturbações da aprendizagem. Quer dizer, nos deparamos com algo novo que temos que aprender, o que implica que temos que abandonar o outro para poder aprender. Esse é o dilema que tem que ser resolvido: resolver essas situações que estão fixas, estereotipadas, etc. e que chamamos diplomáticas, não dialéticas, que surgem pela intensificação das ansiedades frente a situação que se dá na aprendizagem.

Quando se está aprendendo, forçosamente, ainda que não de forma consciente, estamos abandonando outras maneiras de ver o mundo ou a realidade, ou qualquer coisa que seja vivida como perda e isso dá a direção de nosso trabalho. Então fazemos do grupo operativo um grupo tão terapêutico como pode ser qualquer outra técnica, pelo fato de que permite aprender. Abandonando as técnicas defensivas anteriores, as defesas psicóticas, pôr exemplo, o sujeito pode aprende novos aspectos da realidade, que são a realidade concreta, e que corrige sua visão anterior do mundo.

O processo de esclarecimento em grupo tende a fazer-se dialético, quer dizer, a romper as situações diplomáticas, as quais Caracterizamos como situações que impedem a mudança, porque os problemas se colocam de forma dilemática como opção entre o “sim” e o “não”, onde não há possibilidade de solução. São opostas às situações com solução, que são as situações dialéticas, onde através do processo de interjogo se maneja o problema até resolvê-lo em forma de uma solução, que é uma síntese que se transforma, pôr sua vez, num ponto de partida de uma nova situação dialética. O conflito é resolvido antes através de uma síntese, essa síntese volta a funcionar como tese, que gerará uma operação, porque alí mesmo se estabelecem novas situações de contradição.

Quero dizer que em linhas gerais nossa tarefa é resolver situação de estancamento, seja estancamento na enfermidade, na aprendizagem, em qualquer aspecto da vida e fazer essa situação dialética. Tese, Antítese e Síntese podem levar justamente a situação de movimento dentro do grupo, com possibilidade de aprender sem o temor de perder. Quer dizer que o perder fica desprezado frente a possibilidade de um aprender operativo. O grupo vai em cada caso com essa técnica desde o explícito ao implícito, para, através desse processo, aparecer um novo explícito, ou explicitar o que estava latente e que resultava perturbador e conflituoso. Pôr isso podemos representar muito bem com um cone invertido a operação corretora:

O explícito seria o que vemos, o manifesto; então, tomando dessa ponta podemos ver progressivamente em forma dialética através de uma direção em espiral e pouco a pouco, chegar ao fundo dessa situação a qual apontamos. Com esta espiral dialética podemos ver esse núcleo central onde está localizado o medo à mudança como resistência.

Em termos de uma terapia individual o denominamos como “reação terapêutica negativa” ou resistência do paciente, e também em termos de terapia consideramos a solução dessa resistência à mudança como a ruptura da resistência a melhorar, o que produz uma mudança em sua conduta, em sua adaptação. E esse tratamento ou método para mobilizar os núcleos estereotipados, fixos ou que dificultam a aprendizagem, surge da observação de que em algum momento de desenvolvimento encontramos uma série de dificuldades (que estuda a teoria da aprendizagem), que se manifestam na vida comum cotidiana e que necessitam ser permanentemente revistos como técnicas que tem sido absorvida em um momento dado mas que frente a novas exigências já não resultam adequadas nem operativas.

Com a técnica grupal, acontece que contribuem para tarefa todos os que estão comprometidos no grupo, cada um pôr sua experiência pessoal, pôr sua forma de ser e pela inter-relação que joga entre eles; vai se alcançar em um momento dado uma passagem de uma situação estancada ou dilemática, a uma situação de movimento ou dialética. O progresso é então possível e se elaboram novos problemas, novos aspectos, que fazem que o sujeito possa aprender com maior liberdade pela ruptura desse estereotipo, possa então estar em um continuo progresso.

Nesse esquema o que aparece primeiro é o explícito, o implícito na mudança, é o que corresponderia a zona do inconsciente. Mas é partindo do explícito e pôr uma espiral constante que se pode chegar ao implícito, analisando quais elementos jogam e como podem romper a estrutura rígida da situação para poder chegar a situação de progresso e a um novo planejamento.

Então digamos que é em geral o primeiro esquema do grupo. Podemos dizer que a tarefa enunciada é a UNIDADE DE TRABALHO, que faz possível o esclarecimento do subjacente. A Unidade de Trabalho é também triangular, quer dizer que geralmente está o implícito. A Interpretação rompe a dificuldade de abordar o objeto; a essa interpretação segue outra e outra até chegar ao ponto de urgência, no qual há uma verdade entre o explícito e o que se mantém todavia implícito. Nossa unidade de Trabalho aponta para explicar o implícito. Se faz uma interpretação sobre um momento dessa situação e a aparição de um novo aspecto dentro do cone nos dá um critério acerca da operatividade da mesma. Ou seja, a Unidade básica de trabalho é a percepção e exploração do que o paciente disse. Isto se aborda com uma interpretação que tende a colocar de manifesto ou explicitar aspectos implícitos da situação.

A Interpretação faz surgir um nove plano que chamamos Novo Emergente e que pôr sua vez é enfocado de alguma maneira pela espiral constante com a qual progressivamente vamos dar nos aspectos essenciais da mudança. Porque o propósito do grupo operativo é alcançar uma mudança, o nível de mudança vai depender dos indivíduos que estão no tratamento ou aprendizagem.

O grupo operativo é universal pelo fato de que sua técnica faz possível a bordagem de qualquer situação, seja de aprendizagem, de cura, de todos os aspectos terapêuticos que possam dar-se em comunidades, ou com indivíduos internados pôr exemplo.

Na realidade o primeiro esquema vem de uma situação grupal de enfermos alienados, internados que ficaram absolutamente em estado de abandono, e aí é onde se pode observar que os pacientes em menos de uma semana estavam em condições de ajudar, com uma formação baseada em técnicas operativas. Quer dizer que graças a essa medida um pouco absurda nesse momento, nasceu esta técnica, o grupo operativo como uma técnica social, onde se fazia possível o tratamento dos doentes mentais pôr seus “colegas”; mas com muito pouca aprendizagem de técnica de enfermaria e com trabalho de grupo.

Tomamos como ponto de partida sua visão como enfermos: primeiro fazia grupos com eles e através desses grupos  aprendiam o que era o insight, o que era alienação, e tudo isso, com alguns conceitos de enfermaria. Para outras tarefas se completou em muito pouco tempo a formação daqueles que poderia chamar de os melhores enfermos que tinha visto em minha vida profissional.

Esta formação se fundamentava na compreensão de um pelo outro e a aprendizagem rapidíssima de algumas técnicas de enfermaria. Assim, isto deu nascimento ao grupo operativo, técnica que como dizíamos, diferenciamos das outras pôr estar centrada na tarefa, e a tarefa era nesse caso o cuidado com seus  companheiros de internação. Com pouco tempo então, uma semana ou um pouco mais, dentro do serviço havia se estendido uma atitude social de uns aos outros, se organizavam saídas, altas (espécie de prova), a inclusão dentro do tratamento nos grupos familiares, que completaram nossa concepção social de enfermidade mental, já que através dos grupos familiares detectávamos os fatores que determinavam a enfermidade, que determinavam o diagnóstico, o propósito e o tratamento. A profilaxia podia ser dada em outros membros da família.

Através de todas estas operações se pode estabelecer com esse instrumento um planejamento para tratar pacientes coletivamente, que inclui uma série de momentos da operação: uma estratégia, uma tática, uma técnica e uma logística.

Estabelecer uma estratégia em um grupo é estabelecer uma forma de enfocar a situação, o que os técnicos de futebol chamam “La Técnica del Pizarrón”. Infelizmente nem sempre se inclui no planejamento do jogo, no desenho da operação, aos jogadores, aqueles que devem levar a cabo a ação concreta. Nós incluíamos os pacientes no desenvolvimento da estratégia grupal. Nas sessões de grupo eram os mesmos enfermos os que trabalhavam com quem os cuidava.

Retomando o anterior e entrando já na teoria da Unidade de Trabalho, a dividimos em três vetores: 1) Existente; 2) Interpretação; 3) Novo Emergente.

O existente ou situação dada com o grupo através de um ou vários porta-vozes, que viria a ser o emergente nesse momento. Do que apareceria em tudo, através de todos e pôr soma de todos, chegar a constituir então, uma forma de ser, uma forma de pensar, uma forma de considerar os problemas. O existente então, é o primeiro elemento.

A Interpretação ou assinalamento do coordenador propõe uma nova perspectiva a situação, quer dizer, que escutando aos pacientes a suas opiniões sobre si e sobre os demais e a opinião sobre sua maneira de ser considerado e tratado, e as visitas que recebiam, tudo era um contexto que incluía digamos, o que chamamos de existente de uma situação. Tudo isso se dava pôr meio de porta-vozes que estavam incluídos nos grupos. Criada a situação, vivida já como estancamento ou não, o terapeuta desses grupos (grupos de enfermos) ou o coordenador de grupos de aprendizagem, assinala, interpreta as dificuldades que estão se apresentando e o esclarecimento da dificuldade em qualquer campo da aprendizagem, da terapia, da tarefa, em grupos de trabalho, tem uma situação geral, quer dizer, uma formulação geral.

Uma vez que uma interpretação nesses casos, cai sobre o campo, se dá o novo emergente, o que surge como resposta. É a situação nova que se estrutura coimo uma conseqüência da interpretação do coordenador, se esta foi operativa, quer dizer que deu no que denominamos ponto de urgência. Quer dizer, que em um grupo há um momento em que seja pôr aspectos de estancamento, aspectos negativos frente a tarefa, se produz um corte que é assinalado justo em seu ponto pelo coordenador. O mais provável então é que se modifique a situação, assim como víamos nos pacientes psicóticos. Aí víamos como o assinalamento de certas atitudes frente a eles, frente aos outros, frente a sua família, modificavam a situação e além disso a fazia universal. Quer dizer que mostrava que em todos existia um aspecto ou dificuldade de resistência a mudança, que era o fundamental.

Dada essa dificuldade frente a mudança, que chama atenção quando, pôr exemplo, um paciente faz todo o possível para não se curar, (que na linguagem psicanalítica chamamos uma resistência, ou se é mais aguda, uma “reação terapêutica negativa”), nos damos conta que quando a operação tem sido bem vista e interpretada pelo coordenador, é porque tem dado justo no que chamamos ponto de urgência. Quer dizer que a estrutura que está se manejando não tem as mesmas correlações entre eles; há aspectos diferenciais, mas o importante é, que pela verdade entre o explícito e o implícito, o implícito se faz explícito quando o assinalamento ou a interpretação tocou a fonte da resistência. Quer dizer, que o dar no ponto de urgência em uma terapia seja individual ou grupal, de aprendizagem ou qualquer, reduz a dificuldade e é o que o faz realmente operativo, porque dentro dessa dificuldade está incluída sempre a tarefa.

O grupo centrado na tarefa é aquele que aponta a pontos de urgência que vão ser operativos de acordo com uma configuração especial do grupo e nos pacientes acontecia o mesmo. Quando o que subjaz, quer dizer, o implícito (o inconsciente em termos gerais), e o explícito, tomam contato através da abordagem do ponto de urgência – onde está a dificuldade – se produz uma mudança geral na estrutura do grupo, que resolve operativamente essa mesma dificuldade. Quando o explícito e o implícito tomam contato entre eles, dizemos (na linguagem vulgar de nossa tarefa) que se produz um “click”. E o “click” é justamente quando se produz a coincidência entre uma situação e outra. A coincidência do “click” condiciona imediatamente um esclarecimento da dificuldade e uma atitude frente a mudança, atitude que seria preferível denominá-la uma capacidade de mudança ou uma atenuação considerável do medo ao ataque que vem depois da mudança.

Havíamos visto que os dois medos que trabalham sempre, são o medo a perda e o medo ao ataque. Então, perdida alguma possibilidade de defesa psicótica no enfermos mental, aparecem situações de debilidade porque o aspecto ou a estrutura psicótica de um sujeito estava operando como defesa contra outras situações de perigo vividas pôr ele. Então emerge um novo medo que é o medo ao ataque pôr haver perdido o anterior, porque não está instrumentalizado para uma defesa lógica operativa, frente ao ataque.

Há então, um interjogo permanente entre o medo a perda daquilo já conhecido e o medo ao ataque do que pode vir a acontecer. O interjogo dessas duas situações rege tudo, são os universais essenciais da tarefa em grupo operativo, da situação psicótica ou qualquer tipo de enfermidade. Poderíamos definir a nossa tarefa em geral, como uma luta desesperada entre aquele que quer ser como é e não quer mudar.

Não quer mudar, porque ?; pelo temor que lhe dá a mudança, devido ao fato de que não está instrumentalizado para enfrentar uma mudança; então fica parado na situação anterior. Ao tocar esse ponto a interpretação operativa, se facilita então a drenagem dos elementos não explicitados que configuram em obstáculos que falávamos hoje: o obstáculo epistemológico como uma dificuldade de abordar um conhecimento novo ou de assimilá-lo. O que constitui nossa tarefa é “abrandar” a dificuldade de mudança, criar situações de mudança através de interpretações. A Unidade de Trabalho se constitui pôr uma analise do que é o explícito e o que é interpretação; que é o assinalamento ou a interpretação no sentido verdadeiro da palavra: é transmitir o que o coordenador está percebendo que existe durante todo o grupo nesse caso, e que não se explicita, e o que dá a solução ou a direção, é alguém que aparece como porta-voz do grupo, indicando direções de trabalho e direções de soluções de determinadas tarefas.

O Novo Emergente que aparece, é o resultado da operação sobre o existente pôr meio da interpretação, que faz surgir um novo emergente. Isto é a situação nova que se estrutura como conseqüência da intervenção do coordenador, do assinalamento ou interpretação, se está foi operativa ou bem dirigida, quer dizer, realmente será uma interpretação operativa quando haja uma coincidência entre o assinalado pelo coordenador e o existente no grupo.

A verdade entre o explícito e o implícito, enunciado em termos Freudianos é: “fazer consciente o inconsciente”, nesse momento diríamos que se tem acertado ao ponto de urgência. A interpretação dada sobre o ponto de urgência abre a possibilidade de mudança, da tendência à mudança, e o movimento que começa a efetuar-se dentro do grupo. Pôr isso essa ruptura do obstáculo epistemológico que é o obstáculo ligado a consciência de um sujeito determinado, é a abertura aos novos emergentes, a iniciação de um processo de mudança.

Então o emergente aparece como símbolo de um processo implícito, quer dizer, o símbolo do processo que já estava subjacente e que havia que fazer explícito. Fazer explícito o implícito se dá nesse “estruturando” que tem o sentido de um circuito sempre aberto. A palavra “Gestaltung” significa isso. Ao começo de nossa tarefa apareceria continuamente a palavra “Gestalt” em termos de estrutura ou função. Mas ao descobrir o caráter espiralado do [processo, que era um processo continuo, tínhamos que lhe dar uma significação particular. Incluindo os mesmos psicólogos da Gestalt, entre eles Kurt Lewin, começaram a tomar o termo Gestaltung que tem um parentesco com o termo Gestalt, e que significa estruturando.

A definição que pudemos dar ao processo era “estruturando”, não estrutura, pelo movimento permanente ao qual estava submetido.

Definimos ao grupo como Gestalt, como geralmente se diz. Pôr exemplo, os Psicólogos Sociais que trabalham centrados no grupo, o definem como uma Gestalt com um sentido fixo e não dinâmico. Se dizemos que é uma “Gestaltung” transformamos esse processo em um estruturando. Quer dizer que o processo vai se realizando paulatinamente e em uma direção determinada; então Gestaltung resultou no termo mais apropriado para significar que se tratava de um processo móvel, em circuito aberto e não um circuito fechado como pode ser a Gestalt.

O processo implícito cujo o …. é o emergente se manifesta pôr intermédio de um ou vários porta-vozes; o porta voz é o integrante que se desempenha como veículo dessa qualidade nova  que é o emergente. Quer dizer, o porta voz é o que é capaz de sentir uma situação da qual seu grupo está participando e pode expressá-la pôr que está mais próximo de sua mente que das dos outros.

Todos os caracteres novos vão aparecendo dessa estrutura, desse bloco que chamamos grupo operativo, que é operativo pela operação realizada e que é útil em qualquer das funções, seja na terapia, na aprendizagem ou em qualquer atividade de trabalho (terapêutica)? etc.

Bom, pôr hora ficamos aqui, no conceito de novo emergente e o único que ficaria para explicarmos seria o conceito de verticalidade e horizontalidade.

O porta-voz é o porta voz do vertical, mas é porta voz dos outros horizontais e assim se opera realmente. Se sente a atividade grupal quando um capta o geral, que está dado em todo o grupo; mas há alguém que pôr sua atividade pessoal, pôr sua maneira de ser, pôr sua sensibilidade é capaz de tomar  o que está acontecendo e explicitá-lo.

 

 

 

 

Texto traduzido por Maura Leite Espinheira Avena. Para uso exclusivo do CIEG – Curso de Formação de Coordenadores de Grupos Operativos.

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Relativos a dificuldade de compreender uma teoria devido sua complexidade.

25 de maio de 2017

Enrique Pichon-Rivière

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