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Ser Latino-americano

Um novo impulso de união e mudança atravessa a América Latina. O conceito de “Pátria Grande” continua sendo uma sorte de “chamado da espécie” incrustado no mais profundo do DNA latino-americano.

Um chamado tão poderoso que, como aconteceu nos anos 70, foram necessárias ferozes ditaduras para frustrá-lo.

Por exemplo: na década de 60, enquanto as hipóteses militares de conflitos com o vizinho buscavam envenenar nossas relações, Vinicius de Moraes compartilhava sua magia nas noites “portenhas”; os artistas plásticos se conectavam com suas propostas de mudanças e o “boom” da literatura – Garcia Márquez, Arguedas, Vargas Llosa, Alejo Carpentier, Ciro Alegria e tantos outros sustentavam um modelo latino-americano original em todo o mundo.

Na política também, a rede era consistente: os movimentos revolucionários e reformistas, que aspiravam à industrialização nacional e à autonomia política em cada país, tinham fortes conexões. Até o macabro “Plano Condor”, já nos anos 70, se apoiou sobre a coordenação de todas as forças repressoras, especialmente às do “Cone Sul”, para perseguir e assassinar os opositores políticos.

Todas estas provas de que nosso destino, apesar das frustrações e dos obstáculos, é estarmos juntos.

Mas a integração não é uma condição natural, mas uma tarefa. E, hoje, a história nos oferece um novo momento propício, ainda que certamente complexo.

Um olhar atento à região mostra que, depois de uma década de devastação neoliberal, nossas sociedades têm eleito presidentes que prometiam dizer “chega” à desigualdade, à falta de trabalho e à miséria. Além dos caminhos que cada um deles finalmente escolheu ou foi obrigado a seguir, a realidade é que Chile optou por Lagos; Venezuela por Chávez, Brasil por Lula, Argentina por Kirchner, Uruguai por Tabaré e Bolívia expulsa sistematicamente quem resiste a mudar uma Constituição Nacional tão desigual que nunca outorgou aos 62% de sua população – aos povos AYMARA, QUECHUA E GUARANÍ – os mesmos direitos que aos brancos.

Esta eleição cidadã (em muitos casos, repito, traída por dirigentes que não cumprem com as suas promessas de campanha política) diz às claras o que quer hoje a América Latina: governos que não funcionem apenas para colocar em marcha ordens que chegam de fora, mas presidentes que garantam trabalho, moradia, saúde e escolaridade.

Porém, o “tsunami neoliberal” dos anos 90 foi mais profundo do que acreditávamos. O livre mercado não só arrasou com postos de trabalho, mas com direitos adquiridos no campo do trabalho, na saúde, na educação. Semelhante cataclismo não podia deixar de afetar o sistema democrático e hoje o sistema de representação através dos partidos políticos está seriamente atingido em sua credibilidade e eficácia. O Brasil vive, nesse sentido, um dos momentos mais amargos da sua história. A vitória, nas urnas, de um presidente trabalhador e um partido de esquerda no Brasil marcou, sem dúvida, um dos momentos de maior orgulho na história da política regional. Um orgulho que hoje está vulnerável.

3 de junho de 2011

Por Telma Luzzani

Editora e Colunista de Política Internacional do Diário Clarin da Argentina.

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